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A Corrupção Por Trás da Eliminação da Itália na Copa de 2002

Quando o Jogo Bonito ficou feio Algumas partidas de futebol transcendem o esporte e se transformam em uma mancha

A Corrupção Por Trás da Eliminação da Itália na Copa de 2002

Quando o Jogo Bonito ficou feio

Algumas partidas de futebol transcendem o esporte e se transformam em uma mancha permanente na memória coletiva de uma nação. Para os italianos, o dia 18 de junho de 2002 é um desses dias. Mas a verdadeira história da infame eliminação da Itália na Copa do Mundo de 2002 não começa no mata-mata — foi uma injustiça progressiva que começou desde o primeiro apito da fase de grupos e culminou em uma das partidas mais polêmicas da história do futebol.

Um torneio manchado desde o início

A Itália entrou no torneio como tricampeã mundial, com um elenco que contava com Alessandro Del Piero, Christian Vieri, Francesco Totti e Paolo Maldini. As expectativas eram altíssimas. O que se desenrolou, no entanto, foi um pesadelo de erros de arbitragem que pareciam quase sistemáticos.

Nos jogos da fase de grupos contra Croácia e México, a Itália teve quatro gols perfeitamente legais anulados. As decisões deixaram jogadores e torcedores perplexos, mas o pior ainda estava por vir. Até mesmo Joseph Blatter, presidente da FIFA na época, admitiu mais tarde que “os árbitros nesta Copa do Mundo foram inadequados; as circunstâncias fizeram com que os erros se concentrassem em uma única equipe, a Itália”.

A noite da vergonha em Daejeon

O confronto das oitavas de final entre Itália e a anfitriã Coreia do Sul, em 18 de junho de 2002, na cidade de Daejeon, está gravado na infâmia das Copas. O árbitro equatoriano Byron Moreno, um nome que se tornaria sinônimo de escândalo, assumiu o centro do palco.

A controvérsia se desenrolou como um acidente em câmera lenta. Moreno marcou um pênalti bastante discutível para a Coreia do Sul no primeiro tempo, que Gianluigi Buffon defendeu. Mas o estrago estava apenas começando. Ao longo da partida, os jogadores sul-coreanos cometeram uma série de faltas violentas com total impunidade — Kim Tae-young acertou uma cotovelada no rosto de Alessandro Del Piero, Choi Jin-cheul deu uma entrada com os dois pés em Gianluca Zambrotta e Francesco Coco saiu sangrando de um ferimento na cabeça.

Depois vieram os golpes decisivos. Na prorrogação, Francesco Totti foi derrubado dentro da área por Song Chong-gug, mas Moreno aplicou o segundo cartão amarelo por “simulação”. Os replays mostraram claramente o contato; até mesmo o presidente da FIFA, Joseph Blatter, declararia depois: “Em relação ao Totti, não foi pênalti nem simulação”. Instantes depois, o gol de ouro de Damiano Tommasi foi erroneamente anulado por impedimento. A Coreia do Sul acabou vencendo por 2 a 1 com um gol de ouro de Ahn Jung-hwan aos 117 minutos.

Além da incompetência: o cheiro de corrupção

Logo após a partida, jogadores e dirigentes italianos foram contundentes. O capitão Paolo Maldini declarou sem rodeios: “O senhor Moreno apitou contra nós do primeiro ao último minuto. Foi um escândalo. Queriam a Itália fora da Copa”. O chefe da delegação italiana na Copa, Raffaele Ranucci, chamou de “jogada suja”.

Mas a história não terminou aí. Em 2015, o jornal italiano Corriere dello Sport revelou uma bomba: a FIFA e o árbitro Byron Moreno estariam supostamente envolvidos em manipulação de resultados a favor da anfitriã Coreia do Sul. A investigação apontou que Jack Warner, o corrupto ex-vice-presidente da FIFA, havia designado pessoalmente os árbitros para as partidas-chave do torneio.

A própria história de Moreno parece um romance policial. Em setembro de 2002, ele foi suspenso por 20 partidas pelas autoridades do futebol equatoriano por erros de cronometragem. Em 2010, foi preso no Aeroporto Internacional John F. Kennedy com seis quilos de heroína escondidos na cueca e, posteriormente, condenado à prisão.

Um padrão de injustiça patrocinada pelo Estado

As acusações de corrupção foram além de uma única partida. A Espanha sofreu um destino quase idêntico nas quartas de final contra a Coreia do Sul, quando o árbitro egípcio Gamal Al-Ghandour — supostamente designado por Jack Warner — anulou dois gols perfeitamente legais da Espanha. O padrão era inconfundível: uma nação anfitriã, desesperada por uma campanha longa no torneio, aparentemente ajudada por dirigentes corruptos da FIFA e árbitros coniventes.

A sombra do crime organizado chegou a pairar sobre os desdobramentos. O proprietário do Perugia, Luciano Gaucci, rescindiu furioso o contrato de Ahn Jung-hwan, declarando: “Não tenho a menor intenção de pagar salário a alguém que arruinou o futebol italiano”. Anos depois, Ahn revelou ter recebido ameaças de morte de membros da máfia italiana e admitiu: “Até hoje não posso ir à Itália”.

O legado da injustiça

A Copa de 2002 continua sendo uma ferida aberta para o futebol italiano. Cinco gols anulados entre a fase de grupos e o mata-mata, um craque expulso injustamente, um gol de ouro roubado — as provas de manipulação são esmagadoras. Enquanto a Coreia do Sul celebrava uma histórica vaga nas semifinais, a integridade do torneio ficava em ruínas.

O escândalo acabou prenunciando a grave crise de corrupção na FIFA que explodiria em 2015, quando autoridades dos Estados Unidos e da Suíça prenderam sete altos dirigentes da entidade sob acusações de conspiração, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. O torneio de 2002 não foi uma anomalia — foi o sintoma de uma instituição profundamente corrupta.

A polêmica da Copa do Mundo de 2002 serve como um duro lembrete de que, por trás da glória do futebol, forças obscuras às vezes moldam os resultados que testemunhamos. Para mais análises aprofundadas dos momentos mais dramáticos do futebol, visite Aposta Real — seu blog dedicado à história do futebol, cultura e histórias não contadas do esporte rei.

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